Ciúmes e Insegurança Nos Relacionamentos

1) Necessidade de Desassociarmos Amor de Ciúmes

 

Existe uma crença dentro do modelo do amor romântico, que é o modelo de amor que fundamenta os relacionamentos na nossa cultura, de que se não houver ciúmes não existe amor.

Essa crença, historicamente, vem do modelo anterior ao amor romântico, o amor cortês, que data de 1700. A crença se mostra tão arraigada que associa, muitas vezes, maior amor a quem tem mais ciúmes.

É comum pessoas relatarem se sentirem amadas com a demonstração de ciúmes do parceiro, pois compreendem que isso significa que o outro se importa.

Contudo, trata-se de uma crença distorcida uma vez que amor se refere a vivência do cuidado, da união, compromisso com o outro, compreensão das necessidades do outro e a capacidade em lidar com o dar e receber.

Enquanto o ciúmes está mais ligado a vivência do poder, controle, medo e o foco nas necessidades do ciumento.

É perfeitamente possível viver o amor sem a vivência do ciúmes.

No entanto, numa cultura baseada no amor romântico, isso é visto com estranheza e desconfiança.

O raciocínio é: se não existe ciúme não existe amor! (Já ouviu ou já pensou isso?  😉 )

Algumas pessoas chegam a provocar propositalmente ciúmes no parceiro para se sentirem amadas. (Conheço tantos casos assim!)

 

2) O Ciúmes é Confundido com Cuidado

 

A frase “Quem ama cuida” ou “Só cuido do que é meu” está constantemente no discurso do ciumento e faz com que o ciúmes associado ao amor seja aceito socialmente como algo comum e até justificável.

O ciúmes só passa a ser mal visto quando extrapola uma série de limites, chegando a violência física e muitas vezes a morte.

Mas ATENÇÃO: é necessário compreender que cuidado não significa controle!

Cuidado implica em carinho, preocupação com o bem estar do outro e com suas necessidades.

Controle já vai completamente na contramão e parte de uma necessidade do próprio indivíduo de se sentir seguro numa relação.

É extremamente difícil manter uma relação de casal com alguém controlador.

Mais difícil ainda se a pessoa, além de controlar, manipula o parceiro para que ele se sinta culpado por não aceitar o “amor” a ele direcionado.

Mas qual a fronteira entre cuidado e controle?

Essas fronteiras são negociadas na própria relação.

Porém se o parceiro tem comunicado constantemente o desconforto de se sentir controlado, vigiado e sufocado é algo importante de ser observado e discutido entre o casal.

 

3) Insegurança e Ciúmes

 

Quando falamos de insegurança é necessário observar duas dimensões da relação:

  • Eu-comigo
  • Eu-com- outro

A dimensão Eu-Comigo se refere a vivência de insegurança básica do próprio indivíduo. Fala da relação que ele estabelece consigo mesmo.

Se ele se mostrar com a autoestima comprometida, medo de rejeição, medo de abandono ou com complexo de inferioridade, possivelmente se sentirá inseguro em várias dimensões da vida, incluindo as relações amorosas.

Infelizmente quando a insegurança é na dimensão Eu-comigo, não há muito que o parceiro possa fazer para diminuir a insegurança, porque ele é uma vivência muito pessoal.

A insegurança com certeza alimenta o ciúmes e o medo da perda.

Muitas vezes esse sentimento faz com que o indivíduo passe a controlar para diminuir o desconforto da situação.

Mas a tentativa de controlar o outro provoca conflitos na relação de casal que pode resultar em desentendimento, desgastes, brigas constantes, além de não eliminar a sensação de insegurança

A dimensão Eu-com-outro refere-se a dimensão da relação entre os parceiros, em como eu me relaciono com outro e como a relação se estrutura.

Alguns comportamentos na relação são de provocadores de ciúmes e insegurança no parceiro e devem ser verificadas.

Por exemplo:

  • sair à noite sozinho e não falar aonde vai
  • não atender o celular e voltar de madrugada.
  • Manter contato com ex-namorados ou ex-parceiros.
  • Manter muitos segredos sobre sua vida pessoal (existe diferença entre privacidade e uma vida cheia de segredos).

Comportamentos como esses podem com certeza gerar a sensação de insegurança na relação, engatilhando o ciúmes do parceiro de várias formas diferentes

Com isso em mente, é necessário perceber: o ciúmes é algo meu? É algo provocado na relação com o outro? Ou é a associação entre os dois fatores? Esse último costuma ser o mais comum.

 

4) O Ciúmes e a Relação de Casal

 

É importante lembrar que um dos pilares de um relacionamento saudável é a confiança entre os parceiros. Se essa confiança não existe ou é quebrada, será um terreno propício para dúvidas, inseguranças e ciúmes intenso.

A capacidade de estabelecer ou restaurar o terreno da confiança na vivência do casal é fundamental para que a relação percorra o caminho da saúde.

Do contrário, é comum ambos os parceiros adoecerem emocionalmente com os grandes desafios advindos da relação

Não existe um consenso em como os casais vivenciam o ciúmes.

Alguns acreditam que o ciúmes adiciona o ar afrodisíaco a relação. Outros simplesmente não toleram. E outros sofrem profundamente.

É fundamental que o casal crie um espaço de diálogo sobre suas inseguranças, dúvidas, medos, desconfortos em relação ao outro, para que assim consigam se ajustar de forma criativa nessa relação.

Os ajustes ao longo da relação são constantes, considerando a necessidade de conciliar as diferentes necessidades de que cada indivíduo

.

5) Quando o Ciúmes Vira Adoecimento

 

O ciúmes começa adentrar o terreno do adoecimento quando passa a trazer prejuízos significativos para vida da pessoa e de seu parceiro.

Prejuízo como:

  • dificuldade de se concentrar em outras dimensões da vida porque perde muito tempo tentando controlar os passos do parceiro;
  • perdas no trabalho, na família;
  • afastamentos dos amigos;

Todos são aspectos observados em um quadro denominado Ciúmes Patológico.

Neste quadro, o indivíduo se vê constantemente ansioso, angustiado, desconfiado e muitas vezes chega a delírios paranoicos.

A pessoa passa a ter variações de humor e comportamentos agressivos com o parceiro que podem deflagrar em violência psicológica, física, sexual, e até em morte.

O grande número de crimes passionais que vemos hoje está fundamentado no ciúmes patológico.

Nele o parceiro deixa de ser uma pessoa e passa ser uma propriedade, um objeto de posse que deve ser defendido a qualquer custo.

Por isso, é muito importante que o casal observe a presença desse tipo de ciúmes na vivência a dois, para que possam tomar medidas preventivas e evitar que o quadro piore.

E você? Como você lida com seu ciúmes?

A SURPREENDENTE Verdade que NUNCA te Contaram Sobre o AMOR

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